Por Ronaldo Campos
A “inconsistência contábil” da Lojas Americanas veio a público em janeiro deste ano. Desde então, 88 lojas foram fechadas e houve uma redução de 13% do número de clientes ativos — segundo o relatório de acompanhamento mensal dos administradores judiciais da companhia.
As primeiras notícias diziam que a masterpiece contábil, que fez sumir R$ 20 bilhões, verdade deu conta de R$ 43 bilhões. O susto foi tão grande que até os mitomaníacos, responsáveis pelo rombo, tiveram que fazer o que não gostam: contar a verdade. O tsunami pegou todo mundo de surpresa: os funcionários, o mercado varejista, os clientes e a sociedade. De todos os impactados, a maior preocupação deve ser com os funcionários.
Fico imaginando a disposição matinal dos colaboradores para ir trabalhar numa empresa com um futuro incerto. Atualmente, o quadro de funcionários, sob o regime da CLT, é de pouco mais de 34 mil pessoas. Desde que a maracutaia veio à tona, mais de 5 mil foram demitidos. Por si só, a demissão cria um enorme impacto emocional, imagine então se foi causada pela irresponsabilidade e ganância dos outros. É revoltante!
Novos investimentos poderiam ajudar a reverter o quadro atual, mas nem isso acontece. Neste ano foram investidos R$ 7,2 milhões contra R$ 144,5 milhões, comparado ao mesmo período do ano passado, ou seja, a cifra atual é pífia. Quanto à internet, principal canal de vendas, nenhum investimento foi feito neste ano. O caixa — que é a principal variável para a condução saudável e a recuperação financeira de qualquer empresa — vai de mal a pior. O valor de R$ 1,7 bilhão não representa nem 38% do valor do ano passado.
O imbróglio da Americanas é tão grande que ainda acompanharemos vários desdobramentos dessa tragédia. Os três sócios-proprietários, Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, estão muito bem, obrigado! Assessorados pelos melhores advogados, continuam participando dos convescotes da alta sociedade e se mantendo no top 10 das pessoas mais ricas do Brasil. Recentemente, O Globo noticiou que, juntos, suas fortunas cresceram mais de R$ 6 bilhões do ano passado para cá. Enquanto isso, seus ex-colaboradores e os atuais seguem em queda livre.