Por Arthur Meucci e Flávio Tonnetti
O medo é resultado da dúvida; produto de nosso desconhecimento sobre todas as coisas que nos cercam; sumo de um desconhecimento que é mais profundo ainda: o desconhecimento sobre nós mesmos. Frágeis em nossa individualidade, frente a um mundo que nos ameaça e nos contesta, ficamos em apuros. Somos crianças em uma escada espiralada, assombradas rumo a um infinito. Casarões com fantasmas e céus sem estrelas: não há onde se esconder e não há luz pela qual se guiar. Vamos seguindo sem saber o destino…
E, imersos neste labirinto de encruzilhadas, a vida nos pede velocidade quando já não somos leves; quer nos levar a caminhos escuros pouco breves; exige-nos escalar para pontos distantes, como se fôssemos um pequeno pássaro voando para além das nuvens. Em direção ao sol ficamos cegos.
Ícaro no infinito: quanto maior o sonho, maior a queda. Na sombra absoluta ou na luz extrema, nossa visão nada revela — não se vê a que caminho estamos sendo conduzidos. Tampouco somos capazes de enxergar de onde viemos. Solidão tão necessária é esta que chamamos existência: este quarto de luzes apagadas ou esta claridade desértica.
A vida é um eterno andar de costas. E seguimos como Curupira: olhando o passado e despistando o destino. Temos medo porque não sabemos o futuro.
Bacharel, Licenciado Pleno e mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo, doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Extensão em Filosofia do Cinema pelo COGEAE/PUC. Possuí formação em Psicanálise; Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Flávio Tonnetti
Bacharel e mestre em Filosofia pela USP, doutor em Educação pela mesma instituição, com tese sobre educação e tecnologia.
Professor da Universidade Federal de Viçosa.
contato: [email protected]