Texto | ARTHUR MEUCCI e FLÁVIO TONNETTI
Desejar ultrapassar a condição física do corpo. Quando desejamos ardentemente, desejamos com toda dimensão de nosso ser: desejamos com alma. Impulso, chama, labareda, movimento… são muitos os modos de traduzir o desejo. Mas todos eles incompletos, pois desejar de corpo e alma não é algo que se possa traduzir em palavras. Desejo, portanto, ultrapassa a dimensão da matéria. Possível desejar fora do corpo? Certamente, pois a vida não se resume a apenas uma experiência física. Possível desejar fora do corpo e em quantos corpos nossa alma ocupar-se enquanto existe.
Fazemos então uma releitura do desejo: identificamos o desejo com a vontade, com a determinação de escolher o que se quer. Querer é uma coisa só. E experienciaremos o querer não importa a dimensão que ocupemos. Nossa identidade pensante, nossa alma imaterial, quer e deseja independentemente de sua condição. Podemos usar o corpo como veículo, podemos incorporar a matéria como dimensão do desejo, mas podemos apenas desejar com o corpo de modo superficial. Ou podemos, ao contrário, usar o corpo como potência para o desejo, e somar dele as forças para desejar ardentemente e de maneira mais completa, como fazemos quando amamos. Amar é desejar de corpo e alma. ■
Miniensaios de Filosofia, volume: Desejo, Vontade & Racionalidade, cap. XXII, editora Vozes, 2013.
Arthur Meucci
Bacharel, Licenciado Pleno e mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo, doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Extensão em Filosofia do Cinema pelo COGEAE/PUC. Possuí formação em Psicanálise; Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Flávio Tonnetti
Bacharel e mestre em Filosofia pela USP, doutor em Educação pela mesma instituição, com tese sobre educação e tecnologia.
Professor da Universidade Federal de Viçosa.
contato: [email protected]
Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto | Anne Nygård/Unsplash