Texto | ANDERSON BORGES COSTA

Qual história vem à mente quando você ouve a frase “Era uma vez”? Cinderela, Branca de Neve e os sete anões, A Bela Adormecida, João e Maria, Chapeuzinho Vermelho? Certamente você conhece todas elas, desde que era criança. E é capaz de contá-las, uma a uma, de trás para a frente. Mas talvez hoje você já não queira saber mais dessas histórias. Afinal, você mudou. E se transformou. Viveu uma revolução na vida: a criança virou adolescente, que virou adulto. A vida é uma revolução constante. Você virou um “era uma vez”. Nesta coluna vou comentar sobre um “era uma vez” que mudou a história para se transformar em História. É sobre o livro Era das revoluções, escrito pelo jornalista indiano Fareed Zakaria.

A História é uma matéria que estudamos na escola. Mas, independentemente de ser uma disciplina escolar, a História é uma história que acontece o tempo todo, a cada dia, pois os dias são anos dentro de séculos. E a História muda, pois ela é feita de decisões tomadas por humanos, que são seres mutantes e, às vezes, imprevisíveis. A História é uma história de surpresas.

A História é uma história de mudanças, chamadas de revoluções. As revoluções são, às vezes, evoluções; às vezes, retrocessos. A História é um espelho retrovisor pelo qual, ao olharmos para trás, enxergamos o futuro que está à nossa frente. Assim, neste Era das revoluções, Fareed Zakaria nos conduz de 1600 até o presente, fazendo-nos olhar o futuro por um livro dividido em duas partes. A parte 1 trata do passado das revoluções. Ali, vemos o sucesso da Revolução Liberal e da Revolução Industrial. E vemos o fracasso da Revolução Francesa. Na parte 2 estão as revoluções do presente. Aqui, vemos a revolução da globalização, a revolução da tecnologia, a revolução da identidade e a revolução da geopolítica. Podemos ler este livro como uma canção do Cazuza, cujo refrão é “O tempo não para”.

Era das revoluções é um livro, mas poderia ser uma canção. É um livro que lemos mesmo antes de aprendermos a ler. Afinal, mesmo sem saber, nós já éramos personagens deste livro, pois nossa vida é o presente de uma era. Nossa vida é. Nossa vida era. Soma um “era uma vez” que se transforma a cada página. E nem sempre o que vemos à frente desta era é um caminho que nos diz que viveremos felizes para sempre.

Boas leituras!

Era das revoluções, de Fareed Zakaria
Tradução de George Schlesinger e Renata Guerra
Editora Intrínseca

 

 

 

 

 


Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto capa | The New Indian Express

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