Texto | ARTHUR MEUCCI e FLÁVIO TONNETTI

Seres de essência definida, trazemos inscritos em nosso interior aquilo que somos. E somos quem somos, sem divergências, sem cisões, sem entraves. E somos estáveis. O que significa que não há espaço para o caos em nossa existência. Na natureza não há mudanças repentinas, não há transformações bruscas. Mesmo que exista uma dialética da vida, nós ainda preservamos, a cada instante, aquilo que somos. Caminhamos lentamente, passo a passo, em gradações diferentes de uma mesma coisa, dentro de um mesmo esquadro. Alteramos nosso estado, como a água que ora é vapor, mas permanecemos inalterados. Mesmo quando mudamos, permanecemos. Indício de nossa estabilidade é o modo como nos ferem as grandes mudanças. Rupturas radicais do ser são traumas e não vivências comuns. Supor transformações seria como dizer que há em cada um de nós pequenas existências momentâneas ao longo do tempo, como se uma única pessoa fosse várias, algo que, definitivamente, não é possível que aconteça. Somos seres únicos, absolutos, individuais em nossa face interna. Variações são indesejáveis, pois ferem a dinâmica do existir.


Miniensaios de Filosofia, volume: Desejo, Vontade & Racionalidade, cap. XII, editora Vozes, 2013.

Arthur Meucci
Bacharel, Licenciado Pleno e mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo, doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Extensão em Filosofia do Cinema pelo COGEAE/PUC. Possuí formação em Psicanálise; Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Flávio Tonnetti
Bacharel e mestre em Filosofia pela USP, doutor em Educação pela mesma instituição, com tese sobre educação e tecnologia.
Professor da Universidade Federal de Viçosa.
contato: [email protected]

Diagramação | RONALDO CAMPOS

Foto de Note Thanun/Unsplash

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