Texto | ANDERSON BORGES COSTA

Você é uma pessoa com mais certezas ou mais dúvidas? Com mais coragem para arriscar ou mais medo do desconhecido? Já se deparou com uma mudança repentina na sua vida, que abalou suas convicções? Pois é exatamente isso que acontece com a protagonista do romance Batida só, da jovem autora contemporânea Giovana Madalosso.

A moça em questão aqui é uma jornalista que leva uma vida agitada na redação de uma cidade grande. Um dia, ao caminhar para casa de volta do trabalho, ela é atacada por dois estranhos — perde a consciência na hora, fazendo os agressores fugirem. Levada ao hospital, a jornalista descobre que sofre de uma séria arritmia, cujo tratamento traz mais dúvidas do que respostas. A partir de então, seus dias se tornam uma sucessão de incertezas e de angústia.

Por precisar de tranquilidade, ela passa a morar na pequena cidade do interior onde passou a infância com os avós. Para não estressar seu coração, toma antidepressivos. E, na pequena cidade, reencontra a amiga Sara, que nunca saiu dali e que tem um filho, Nico, um garoto inteligente e sensível, que tem câncer e também a angústia de conviver com a possibilidade da morte.

Sara é o oposto da jornalista. Esta é ateia; Sara é religiosa. Mas, no desespero, será que até os ateus cogitam rezar para se curar? O garoto Nico é o personagem mais interessante dos três, pois consegue questionar todas as certezas que as duas adultas pensavam que tinham. A saúde em xeque demanda uma atitude filosófica que abala todas as estruturas que a vida moderna acredita construir. E as perguntas de uma criança doente comovem e envolvem os leitores de Batida só em um ritmo incerto e descompassado de inquietação que bate em uma narrativa que revela quão desafinada é uma vida que poderia ser leve e tranquila. Giovana Madalosso, em seu Batida só, nos entrega um livro denso, mas que é narrado com uma escrita leve, provocando desconforto até a última página. Boas leituras!

Batida só, de Giovana Madalosso
Editora Todavia


Anderson Borges Costa
Formado e pós-graduado em Letras (Português/Inglês/Alemão) pela Universidade de São Paulo. Professor de Português e Literatura na Escola Internacional St. Nicholas. Escritor, autor dos romances Professoras, Rua Direita e Avenida Paulista, 22, do livro de contos O livro que não escrevi e de peças teatrais.

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Fotos | Freepik e site: https://todavialivros.com.br/Divulgação

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