Texto | ARTHUR MEUCCI e FLÁVIO TONNETTI

Não podemos dizer que as ideias de um visionário acabam quando sua vida perece. Suas propostas e crenças podem permanecer como valores, enraizadas na vida de outros. Assim como a ideia de uma revolução pela paz não morreu com a morte de Gandhi. Como a ideia de igualdade, como um valor humano, não morreu quando Martin Luther King foi assassinado. Valores morrem apenas quando morrem os modos de vida. Afinal, as práticas sustentem os valores.

É na ação dos indivíduos que as ideias se perpetuam. A morte de uma ideia não acontece quando morre um indivíduo. Isto porque um valor social constitui-se como algo independente, como um fato social, um conceito abstrato que toma para si uma realidade separada.

Para que morra uma ideia é preciso mais do que a morte do indivíduo, é necessário que morra uma coletividade inteira. A morte de um valor ou crença pressupõe a morte de uma cultura. Quando um valor morre, morrem existências compartilhadas. Como se a morte fosse uma convenção social, ou uma desconstrução de prátcias que vão deixando de existir. Como modos de vida que vão se extinguido.


Miniensaios de Filosofia, volume: Amor, Existência & Morte, cap. XXXII, editora Vozes, 2013.

Arthur Meucci
Bacharel, Licenciado Pleno e mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo, doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Extensão em Filosofia do Cinema pelo COGEAE/PUC. Possuí formação em Psicanálise; Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Flávio Tonnetti
Bacharel e mestre em Filosofia pela USP, doutor em Educação pela mesma instituição, com tese sobre educação e tecnologia.
Professor da Universidade Federal de Viçosa.
contato: [email protected]

Diagramação | RONALDO CAMPOS
Foto capa | Florida Memory
Foto mídia | Raghavendra V. Konkathi/Unsplash

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