Você sabia que a literatura de cordel chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses? Os poemas no século XII eram cantados pelos trovadores medievais, que espalhavam suas histórias para a população.

Os cordéis até hoje são muito importantes para a preservação dos costumes regionalistas e pelo incentivo à leitura.

Por José Bernardo da Silva

Nestes versos eu descrevo
a força que o amor tem
que ninguém pode dizer
que não há de querer bem
o amor é como a morte
que não separa ninguém

Marina era uma moça
muito rica e educada
o pai dela era um barão
duma família ilustrada
mas ela amou Alonso
que não possuia nada

Ambos nasceram num sítio
num dia, na mesma tarde;
pegaram logo a se amar
com nove anos de idade
se todos dois fossem ricos
era um casal de igualdade

Alonso era enjeitado
sem ter de família o nome
criado por um ferreiro
trapilho, passando fome
pois quem é criado assim
todos os dias não come

Pelas mercês de Marina
Alonso pôde estudar
Marina não tinha mãe
se sujeitava a tirar
do dinheiro do barão
para Alonso sustentar

Estava com 20 anos
dispôs-se um dia Marina
disse a Alonso: me peça
veja o que a sorte logo
meu pai o que determina

Amanhã pelas 10 horas
você vá ao barão
chegue lá declare a ele
que pretende a minha mão
conforme o que ele disser
eu tomo resolução

[…]

Alonso aí respondeu:
não obsta ser um barão
título comprado não pode
comprar a um coração
ele é mortal como eu
um de nós perde a ação

[…]

– Bote a bênção em sua filha
fiquemos em união
Deus dá sorte ao homem
para ser seu coração
faz o grande se humilhar
ergue o morto e dá-lhe ação

O barão ficou com eles
sendo de Alonso estimado
porém um sobrinho dele
que ainda tinha ficado
por quem ao cabo de anos
foi Alonso assassinado

Levemos isto a uma análise
Então vê-se onde cai
A soberba é abatida
No abismo tudo cai
Deus é grande e tem poder
Reduz ao pó qualquer ser
O poder Dele é de pai

FIM


O nome cordel está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde eram pendurados em cordões, chamados de cordéis. No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes.
A história da literatura de cordel começa com o romanceiro do Renascimento, quando se iniciou a impressão de relatos tradicionalmente orais feitos pelos trovadores medievais.

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