Por Ronaldo Campos
As relações internacionais, como as conhecemos hoje, iniciaram-se em 1648 com a Paz de Vestfália. Porém, somente no século XX que a disciplina de relações internacionais adquiriu sua autonomia, mais especificamente com a criação, em 1919, da primeira Organização Intergovernamental do mundo: a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Esse período ficou conhecido como idealista por transformar diversas iniciativas políticas e sociais em normas jurídicas. A diplomacia de bastidores, como as negociações militares secretas entre as nações, foram deixadas de lado em pró das negociações abertas. Contudo, a visão idealista exagerava na leitura “fidedigna” da realidade, pois acreditava-se numa leitura do mundo do jeito como ele é e não como gostaríamos que fosse. O período idealista encerra-se em 1939 com o início da Segunda Guerra Mundial.
O fato é que há vários paradigmas sobre as relações internacionais. Pode-se entender paradigma como “as suposições fundamentais que os especialistas fazem sobre o mundo que estão estudando” (John Vásquez) ou, de um modo muito mais simples, “paradigma é uma maneira de organizar a realidade” (Umberto Eco). De qualquer maneira, são considerados três tipos de paradigmas: o realista, o da dependência e o da interdependência. O primeiro separa a política interna da política internacional, somente os Estados são reconhecidos como atores internacionais e há uma luta constante pelo poder; o segundo paradigma, o da dependência, os Estados mais pobres sempre dependerão dos Estados mais ricos; e, o terceiro tipo, pode ser resumido por não considerar o Estado-nação como o único agente internacional e os principais temas internacionais não são mais os políticos e os militares e sim o ambiental, humanitário, econômico, demográfico etc.
Sendo assim, há diferentes concepções teóricas das relações internacionais que convergem para uma definição mais amplamente aceita sobre as relações internacionais: “trata-se do conjunto de atores de distinta natureza que comportam um espaço comum e os fluxos que existem entre eles, a gerar fenômenos internacionais, nos campos da política, da economia, da cultura, do meio ambiente etc. Pra concluir, as relações internacionais é uma disciplina multifacetada e complexa que engloba toda ação humana, em todas as localidades da Terra e que interagem entre si.