Tradução | RONALDO CAMPOS

A arte de fazer unhas está experimentando um crescimento de três dígitos. O número de salões de manicure nos Estados Unidos dobrou desde 2012, chegando a cerca de 35.000, de acordo com os dados do censo mais recente. Na Grã-Bretanha, as unhas são o segundo tratamento de beleza mais popular, depois do penteado. Segundo Jonathan Millet, CEO da Townhouse, uma rede de luxo, o mercado de salões de manicure movimenta cerca de US$ 10 bilhões nos Estados Unidos e £ 2 bilhões (US$ 2,7 bilhões) na Grã-Bretanha.

Designs cada vez mais elaborados estão ao alcance das pessoas. É possível enfeitar as unhas com minúsculas orquídeas em 3D ou retratos pintados à mão de Shakespeare ou da Branca de Neve. Jacqueline McClement, uma artista de unhas canadense, recentemente filmou a si mesma pintando a obra Moça com brinco de pérola, de Vermeer, com esmalte. Se você tiver US$ 800 disponíveis, pode comprar unhas postiças esculpidas em cristais verdadeiros. Os estilos se espalham on-line. A hashtag #nailart tem mais de 120 bilhões de visualizações no TikTok.

O desejo de decorar as unhas não é recente. Na Babilônia, os homens tingiam as unhas com kohl antes de irem para a guerra para parecerem temíveis. No antigo Egito, as pessoas as tingiam com henna como sinal de status social. O exemplo mais antigo de esmalte, na China, por volta de 3000 a.C., era feito de clara de ovo, gelatina e cera de abelha. Hoje, as unhas não são enfeitadas para a batalha, mas ainda são usadas para comunicar uma mensagem. Nick Knight, um fotógrafo de moda britânico, vê as unhas como uma forma de autoexpressão, “a última nota de uma melodia”.

Algumas artistas de unhas vão além, argumentando que produzem o equivalente moderno de miniaturas de retratos, cobiçadas pela nobreza europeia do século XVIII. Como miniaturistas, as artistas de unhas prendem a respiração e pintam entre as batidas do coração. “Um traço de pincel fora do lugar e tudo desmorona”, diz Anouska Scarlet Anastasia, especializada em esculturas em miniatura. Suas maquetes — que incluem uma minúscula garrafa hiper-realista de ketchup Heinz e uma de licor irlandês Baileys — levam duas ou três semanas de trabalho meticuloso para serem confeccionadas.

“Isso deveria estar em um museu, não em um dedo”, diz um comentário no Instagram da Sra. Anastasia. E, ao que parece, os curadores concordam. O Museu de Arte Moderna de Nova York possui um conjunto de unhas postiças inspiradas em notas de dólar, criadas para a rapper Lil’ Kim na década de 1990. O primeiro museu dedicado à arte das unhas será inaugurado no próximo ano em Xangai; as participantes do concurso Nailympia foram convidadas a doar suas criações. Muitos vão torcer o nariz para tudo isso. Mas as manicures afirmam que poucas formas de arte são tão resistentes quanto as unhas. ■


Diagramação | RONALDO CAMPOS
Matéria original publicada pela The Economist, Does nail art have art nailed?, (Culture, Oct 27th, 2025)
Adaptação livre do título para o português
Foto capa | Zain Ali/Unsplash | Imagem: Moça com brinco de pérola | Wikipédia

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