Por Arthur Meucci e Flávio Tonnetti
Não somos velozes, não enxergamos bem no escuro, não temos genial olfato, não voamos como aves ou como muitas espécies de insetos, somos limitados em nossa capacidade de nadar e, afinal, não somos tão ferozes como tantas outras espécies de seres vivos que habitam nosso planeta. E apesar de nosso tamanho considerável, que nos coloca no rol privilegiado — perpetuamos nossa espécie porque pensamos. Não é o tamanho de nossos corpos que nos privilegia diretamente, mas o tamanho de nossos cérebros. Raciocinar é para nós uma capacidade distintiva.
Se todos os animais possuem instinto, que lhes garante reagir a situações inusitadas e lhes salvar a pele, nós temos algo a mais que nos favorece: o raciocínio.
Perpetuamos nossa espécie porque pensamos, e porque somos capazes de introduzir mudanças conscientes em nosso meio, de transformá-lo e de reinventá-lo a nossa vontade.
Com isso introduzimos no mundo uma maneira própria de comunicação: a linguagem humana, e com ela construímos conhecimento e cultura, com os quais redescobrimos o mundo: arte, filosofia, ciência, lógica, tecnologia.
Raciocinar é adaptaçãi valiosa, fruto da evolução da espécie, bioferramenta inerente à condição humana e resultado dos milhares de anos de idade, desde que existimos sobre a Terra. A razão é a melhoria do corpo.
Miniensaios de Filosofia, volume: Amor, Existência & Morte, capítulo XXIII, editora Vozes, 2013.
Arthur Meucci
Bacharel, Licenciado Pleno e mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo, doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Extensão em Filosofia do Cinema pelo COGEAE/PUC. Possuí formação em Psicanálise; Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Flávio Tonnetti
Bacharel e mestre em Filosofia pela USP, doutor em Educação pela mesma instituição, com tese sobre educação e tecnologia.
Professor da Universidade Federal de Viçosa.
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